O CRESCIMENTO QUE NÃO DEU CERTO
Nas últimas
décadas a igreja protestante brasileira está envolvida no projeto de Crescimento
de Igreja. Congressos vêm sendo realizados, poderosos testemunhos de comunidades
crescentes são apresentados e os líderes são conscientizados de que é preciso
crescer.
A palavra de ordem é estabelecer alvos de almas, fazer uso de nova metodologia
evangelística e ser pragmático. Exige-se novo tipo de liderança para atender aos
novos tempos.
Foi com incomum entusiasmo que um jovem pastor saiu de um desses Congressos. Chegou em sua congregação determinando a dobrar a membresia em um ano, um templo maior seria erguido, aumentaria a bancada, realizaria vários cultos aos domingos, inovaria na liturgia, levaria o povo a cantar mais, pregaria menos, abraçaria uma filosofia cristã humanista, falaria mais das necessidades dos homens para Deus do que de Deus aos homens, mais sobre a vontade humana que a Vontade Divina.
Cá entre nós, que pastor sincero não deseja o crescimento? Que pastor não se alegra com uma comunidade repleta de crianças, adolescentes, jovens, homens e mulheres? Quem não gostaria de ver muita gente chegando ao templo? Que pastor não vibraria ao batizar mais pessoas e no final do ano apresentar um relatório substancioso, que se somaria ao de outros colegas de Presbitério?
Nada há de errado ao se desejar o crescimento da igreja! Há, porém, uma pergunta a ser feita: Que tipo de crescimento buscamos? Aquele, de pessoas sem conversão, que vem apenas avolumar o rol de membros? Que apenas gostam do ambiente, das amizades, da música, dos cânticos, da auto-satisfação de fazer uso de seus dons naturais, mas sem nenhum compromisso com Cristo? Que jamais nasceram de novo, apenas procuram ter a consciência amaciada por um evangelho ligth que não chega ao espírito?
Porventura, buscamos um crescimento explosivo onde o número dos que não nasceram de novo é maior do que o dos verdadeiros convertidos?
Uma coisa é o Crescimento natural e sobrenatural da Igreja, outra é o Crescimento pelo crescimento. Este crescimento pelo crescimento é que não foi uma bênção para a Igreja de Cristo. Por que não foi uma bênção? Porque fez com que as marcas características da verdadeira igreja desaparecessem rapidamente; porque empanou a sua identidade; porque levou a igreja a abrir mão de suas convicções ao negociar a doutrina e criou um novo tipo de pastor, de líderes e de membros fora do padrão das Escrituras. Fez mais: trocou Santuários em salões; liturgia por programações de entretenimento; cultos por encontros; pregação por testemunhos; louvor reverente por “forró santo”; lugar de adoração por “cristoteca”. Na verdade, o que estamos colhendo desse programa de Crescimento de Igreja é o abandono da sã Doutrina, o descaso com a pregação Cristocêntrica e a preocupação com o verdadeiro Culto que desaparece.
O que esse programa de crescimento de igreja fez de errado? Muita gente sem conversão para o aprisco dos escolhidos; chamou gente para adorar, adoradores que Deus não havia chamado e entregou a liderança do povo de Deus a falsos profetas que estropiam sem piedade as ovelhas.
Esse programa de crescimento, entre outros males, também fez o povo não sentir necessidade de ouvir a Palavra de Deus. “Não profetizem para nós o que é reto, digam coisas aprazíveis, profetizem-nos ilusões, não nos falem mais de Deus” (Is 30.10,11). Assim dizia o povo de Israel aos profetas fiéis.
Isto está acontecendo hoje! Num trabalho promovido para a juventude, um pastor de jovens querendo muita gente nesse encontro dizia: “não haverá pregação, só louvor, muito louvor e louvor da pesada”.
Os cristãos estão tristes, desejam ouvir o Evangelho e não há lugar para eles em suas próprias congregações!
Como está difícil ser pastor nestes dias. Não basta ser fiel, é preciso ser um sucesso. Se a igreja não crescer a culpa é dele, é um incompetente!
Tem sido difícil ser um presbítero fiel. Trazer para a comunidade resoluções adequadas à Palavra de Deus tem desagradado os membros. Conselhos estão encurralados e pressionados a recolher os remos e deixar o barco seguir o vento e descer na correnteza.
Está difícil ser membro de verdade. Adolescentes e jovens cristãos têm sido discriminados; homens e mulheres que buscam agradar ao Senhor são taxados de santarrões. Idosos saudosos do Antigo Evangelho são considerados esclerosados. Não tenho dúvidas, o juízo já começou na Casa de Deus!
Pr. Franklin Dávila
franklinrdavila@yahoo.com.br