O ANTICRISTO UM SISTEMA CRUEL 

 Moisés foi a Faraó pedir que libertasse o povo para ir adorar ao Senhor. Foi repreendido por interromper o trabalho do povo e ordens foram dadas aos superintendentes para que mais ocupações fossem dadas aos escravos, que não dessem palha para fazerem tijolos, como antes, mas que eles saíssem para procurar palhas e que produzissem a mesma quantidade de tijolos que antes faziam.

Então os feitores pressionaram o povo exigindo mais tempo para o trabalho. O povo já não suportava tamanha pressão, opressão e exaustão. Tinha de acordar muito cedo e dormir cada vez mais tarde. Tinham de atingir metas; era preciso competir com os demais, encontrar mais palha e ser o primeiro; era preciso ser criativo para produzir.

Essa ordem imperial trouxe conseqüências sociais e espirituais, pois os homens e as mulheres não tinham mais tempo para cultivarem relacionamento conjugal; pais não tinham mais tempo para estarem com os filhos; o tempo da família reunida desapareceu; da madruga à noite os trabalhadores não tinham tempo para si, para os outros, nem tempo para adorar a Deus. O sistema do Faraó submeteu o povo a grandes sofrimentos e a alma do povo entrou em aflição, desespero e, naturalmente, grande abatimento.

Este fato se deu há muito tempo no Egito. Guardadas as devidas proporções o mesmo está se dando agora, em nossa geração, diante de nossos olhos, quando de novo, um sistema perverso se levanta para escravizar os seguidores de Cristo.

É claro que não estamos no Egito nem temos por imperador o Faraó, mas dá pra perceber que as malhas de um sistema déspota nos cobre, que está impondo uma carga ocupacional cruel, não permitindo que o povo de Deus de Deus tenha tempo para cuidar de si, de seus familiares e do relacionamento com o Senhor.

A estratégia que o diabo usou naqueles dias, numa tentativa de  frustrar os planos de Deus para a família da aliança, é a mesma que está aplicando hoje e muitos cristãos têm sido vítimas desse sistema anticristão, o Sistema do Anticristo.

É importante refletir: homens e mulheres, para manterem as despesas gerais, precisam se submeter a uma jornada de trabalho intensa e exaustiva, atender a exigência do “mercado”; precisam trabalhar mais de oito horas diárias e deles é exigido especialização constante para prosseguirem com o trabalho; desgaste por conta do incentivo para competirem com colegas que também precisam do trabalho.  Aí, então, acontece conosco o mesmo que aconteceu com a família israelita daqueles dias: o marido vai para um lado e para o outro vai a esposa, cada um buscando as palhas do sustento; ao fim do dia retornam exaustos, desgostosos, feridos, desvalorizados, humilhados por se sentirem desumanizados e assemelhados a peças de uma enorme engrenagem globalizada. Ao chegarem em suas casas encontrarão os filhos pequenos dormindo, também cansados pela exigência das escolas, das ginásticas, das aulas paralelas; se já forem crescidos, não os encontrarão, pois que também são vítimas dos mesmos flagelos, da mesma escravidão, da apatia e da desesperança. Marido e esposa por causa das ocupações e do esgotamento vão se distanciando, se antipatizando, se separando, se divorciando, porque já não podem mais viver a vida comum do lar nem cultivar os relacionamentos mais próximos, nem os sentimentos. Também vão se afastando dos filhos, daquele relacionamento mais primário e íntimo, ao mesmo tempo que os filhos também vão se distanciando de seus pais, apegando-se mais às secretárias do lar, às tias da escola, aos amigos dos condomínios, das ruas. Ainda que estejam na mesma casa, não vivem num lar, os laços de família foram rompidos na sua base e essência.

Assim termina o dia. No outro, tudo será igual, cada um se levantará e seguirá por obrigação o seu caminho em busca das palhas, ficarão expostos aos rigores dos “capatazes” para fazerem mais tijolos, porque o sistema exige que o santuário do mundo seja construído para a glória de seu senhor.

O que o Anticristo está fazendo através de seu sistema é tirar do povo de Deus o tempo devido ao Senhor. Opressos, os cristãos não agradecem, não louvam, não adoram. Excessivamente ocupados, já não se tem tempo para escolher a melhor parte da vida que é a comunhão com Deus; já não se tem tempo para bendizer, reconhecer, ler e meditar na Palavra; não se tem tempo para ensinar aos filhos o caminho do Senhor; empobrecemos no exercício dos dons espirituais; não há mais tempo para se congregar sem pressa com os irmãos; falta tempo para cuidar da vida interior. Então o coração vai secando, os bons sentimentos murchando, a fé vacilando, a esperança abafada e o amor vai esfriando.

Eis que se aproxima o tempo da pobreza espiritual! O tempo da Vida pobre! De novo o povo de Deus está sendo escravizado por um sistema demoníaco. Foi assim na formação do povo de Israel, está sendo assim nos últimos dias do Israel espiritual. O que o diabo fez naqueles dias, faz hoje: ataque à família e ao relacionamento do homem com Deus e como conseqüência o coração foi atingido.

Não é o povo cristão que opta por esse estilo de vida, pelo contrário, é o sistema que está se impondo, oprimindo e transtornando os servos de Jesus Cristo.

Que tempos difíceis está vivendo o verdadeiro povo de Deus! De novo escravizados por um sistema ambicioso, materialista e demoníaco.

O Senhor anunciou antecipadamente que os descendentes de Abraão  seriam escravos no Egito. Jesus também advertiu sua Igreja sobre o que aconteceria no final dos tempos.

O que podemos fazer nestes dias? O mesmo que aqueles fizeram: clamaram! E o Senhor os ouviu e desceu para libertá-los. Assim devemos clamar ao Senhor para que desça, venha logo, nos liberte desse sistema de trevas que acaba com os casamentos, separa a família, destrói lares, separa os filhos dos pais, desumaniza, desvaloriza, quebra princípios, destrói fundamentos, afasta da comunhão da igreja, cirandeia para o pecado e semeia a morte. Devemos clamar ao Senhor como o apóstolo João: “ora vem Senhor Jesus”, e arrebata-nos para habitarmos na Cidade Santa, lugar onde haverá justiça e paz, onde os olhos serão enxugados, a morte não mais existirá, a saudade do luto desaparecerá e o gemido e a dor passarão.

Nessa Cidade Santa, destino de nossa alma liberta, “jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem abominação, nem mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida”.

Então conheceremos a Liberdade e a Verdadeira Vida, a Vida eterna.

 

Pr. Franklin Dávila
franklinrdavila@yahoo.com.br

 

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